"Filho,
Adorava dizer - te que tenho todo o tempo do mundo para ti, adorava "reclamar" com as minhas amigas as tuas birras, adorava passar a noite toda acordada para encostar - te no meu peito e limpar - te as lágrimas do rosto.
Sabes, as vezes sinto - me sozinha e na verdade tenho a casa cheia. Sinto que apagaram - me o fogo dos olhos e que me tiraram o "troféu".
Desejo tantas vezes, antes de adormecer, sonhar contigo, só eu e tu.
Quase 4 anos que o meu mundo por momentos deixou de ter sentido, 4 anos de uma dor insuportável, 4 anos a viver um dia de cada vez, 4 anos de recaídas e de sucessos.
Ha um tempo atrás, pensava que estava pronta para deixar - te ir mas eu não estou pronta para isso.
Na verdade quero mais um dia e sempre assim ... mais um e mais um e mais um e mais um ... sinto que vai ser sempre assim até partir.
Sinto o coração apertadinho sabes? Tenho ser forte e apanhar cada pedra do meu caminho, por ti pelos teus irmãos, pelo teu pai e por mim até mas em tantos momentos so quero esconder - me e ninguem percebe. Se notam algo, falam comigo como se fosse apenas uma gravidez... as vezes apetece - me gritar de tanta raiva que sinto.
Continuo a perguntar, porquê isto a nós ...
Sinto - me muitas vezes afogar em tamanha tristeza. Custa - me tanto não te ter aqui, custa - me tanto esquecer - me como era o teu toque na minha barriga ... muitas vezes toco - me para ver se acerto no toque ... estou a esquecer - me e desejo so durante um dia, sentir tudo o que senti quase a 4 anos atrás.
Sei que estás comigo, sei que tu és a minha energia e agora a avo. Sinto uma energia estranha quando estou mal, uma energia que mete - me a cabeça erguida.
Irás ser sempre o meu filho, um dos meus portos seguros, a corrente do mar a levar o nosso barco ... irás ser sempre meu, apenas meu."
Posted 10-06-2010 22:52:59 Mensagem #2423198
Clara Sophie
Retirei este depoimento do site http://www.pinkblue.com/, um site que em tempos visitei com bastante assiduidade. Descobri esse cantinho quando tive problemas de infertilidade secundária. Afeiçoei-me a ele, embora no princípio me sentisse estranha porque não conhecia ninguém. Pouco a pouco o site levou-me a "conhecer" outras pessoas, outras dores. Habituei-me a sofrer pelas minhas "colegas" de fórum. Depois, lá veio o positivo. Mudei de fórum. Uma das mulheres por quem tinha mais estima, perdeu as estrelinhas.Fui-me um pouco abaixo porque tive medo. Esse medo, infelizmente, teve razão de ser... Perdi a minha Catarina às 34 semanas, depois de uma gravidez tão atribulada, mas feliz ao mesmo tempo.
Outro fórum se seguiu: o das perdas gestacionais. Afinal, o site pinkblue é dos sites mais completos que conheço, com fóruns bastante interessantes que nos podem ajudar nas mais variadas alturas.
Nesse fórum "conheci" outras mães que viram os seus filhos arrancados do seu ventre cedo demais, histórias de mães coragem, outras de mães que, infelizmente, podem nunca vir a saber o que é ter um filho nos braços.
Dói muito perder um filho. É uma incredibilidade que nos assalta, depois uma revolta, a seguir um sofrimento sem fim e no fim a resignação. Porém, será que estaremos mesmo resignadas?...
domingo, 11 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Ecos em mim
Ouço o corta-relva no jardim, cheiro o aroma da relva cortada num misto de terra molhada pelo orvalho. O rádio ecoa no meu ouvido, baixando lentamente de volume. Já não o ouço. O meu pensamento voa, alheio-me lentamente do PC, dos papéis, da vida. Penso no vazio, no nada, no meu “Eu”.
Alguém me chama, a minha cabeça teima em não virar… Aproxima-se de mim, profere de novo o meu nome. “Não, não olhes” digo a mim mesma. “Sim, olha” diz a minha consciência. Acabou-se. Estou de volta à realidade…
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Que bronca :(
Os pimpolhos agora deram em tirar a fralda quando dormem a sesta. A Martita está a treinar o uso do bacio, mas como o Tomás tem um historial de diarreias de quilómetros, resolvi adiar o treino dele. Não sei se é por ver a irmã e os outros meninos no infantário, agora teima em tirar a fralda…
O pior aconteceu este domingo, quando a Marta tirou a fralda enquanto estava deitada, depois de eu ter dito raios e coriscos por ter que colocar 2 vezes a fralda ao irmão. O meu marido, ao ver-me passar dos carretos, disse-me para ignorar porque se haviam de cansar.
Pois, bonito! A Marta tinha que fazer das dela…
Quando fui abrir o estore, cheirou-me logo… Pensei que era uma das diarreias do Tomás na fraldoca. Quando me viro e me dou conta que o cheiro vem do outro berço, olho e… Aiiiiiiii, Martita que eu não estou a ver bem…
A pequena tinha tirado a fralda e feito o servicinho em cima do edredão, para literalmente rebolar depois enquanto dormia. Estava toda suja…
Resultado: fui ter com o meu marido e puxando-o pelo braço mostrei-lhe a prendinha da miúda ao mesmo tempo que dizia “Pois, ignoro não é? Agora dás tu banho à Tita para ver o que custa!”
Ele esforçou-se para não esboçar um sorriso, enquanto que eu não sabia se havia de rir ou chorar…
O pior aconteceu este domingo, quando a Marta tirou a fralda enquanto estava deitada, depois de eu ter dito raios e coriscos por ter que colocar 2 vezes a fralda ao irmão. O meu marido, ao ver-me passar dos carretos, disse-me para ignorar porque se haviam de cansar.
Pois, bonito! A Marta tinha que fazer das dela…
Quando fui abrir o estore, cheirou-me logo… Pensei que era uma das diarreias do Tomás na fraldoca. Quando me viro e me dou conta que o cheiro vem do outro berço, olho e… Aiiiiiiii, Martita que eu não estou a ver bem…
A pequena tinha tirado a fralda e feito o servicinho em cima do edredão, para literalmente rebolar depois enquanto dormia. Estava toda suja…
Resultado: fui ter com o meu marido e puxando-o pelo braço mostrei-lhe a prendinha da miúda ao mesmo tempo que dizia “Pois, ignoro não é? Agora dás tu banho à Tita para ver o que custa!”
Ele esforçou-se para não esboçar um sorriso, enquanto que eu não sabia se havia de rir ou chorar…
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Educar: haverá tarefa mais árdua?
Depois de um “Vai fazer os trabalhos de casa” ou um “Vai lavar os dentes” há sempre umas caretas, umas orelhas moucas, uns “mas eu…” A seguir à fase do não querer escovar os dentes veio a fase do não querer escovar o cabelo. Depois da fase do só querer calções veio a fase no não querer calções. Quis umas sapatilhas X para dois dias depois querer umas Y. Adorava o Noddy (que agora detesta), passou para o Bob o construtor e depois para o Ruca. Agora, nada vê na TV a não ser os Morangos com Açúcar. Quis ir para a natação, depois quis sair e foi para a dança. Detestou a dança, voltou para a piscina. Adorava tops e agora só quer t-shirts. Se lhe deixo a roupa para o dia seguinte na cadeira não a quer vestir, se não deixo berra um “Ó mãe, onde está a minha roupa?”
Se damos mimo ao irmão diz que estamos a pôr a mana de lado, se brincamos com a Tita é porque o Más é sempre desprezado. Pede-me molas para o cabelo mas depois não usa nenhuma, está sempre a queixar-se que as calças lhe apertam, se levo casaco para ela vestir quando saímos não tem frio, se não levo começa a tremelicar.
Quando vou dois minutinhos a casa da vizinha tem que vir comigo pois tem medo de ficar sózinha, se vou regar as plantas do jardim e dá pela minha falta grita “Ó mãeeeeeee!!!!!!” para eu responder “Estou aquiiiiiiii” – a vizinhança deve achar que sou doida porque passo a vida a gritar.
Digo-lhe para ir fazer contas ela diz que já sabe e que é fácil, pergunto-lhe a tabuada não sabe dizê-la. Peço-lhe para não dizer algo à avó, ela vai dizer ao avô (claro que ele se encarrega do resto), peço-lhe para arrumar a roupa passada ferro diz “Agora? Estou de saída para dar uma volta de bicicleta…” Digo-lhe “Ajudas-me? Senão não comes um gelado” ao que responde “Ahhhh…. Também não quero!” Mando-a ir dormir sai logo um “Não tenho sono. Vocês também não vão já…”
Ajudo-a com os TPC é porque “ A professora não ensinou assim” ou “Sabes lá tu!...”
Bem diz aquele ditado chinês:
“… Queres trabalho para uma vida, educa uma pessoa.”
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Retrocesso
Terça-feira passada foi dia de ver montras de novo. Nova eco endovaginal para verificar se o SIU estava no sítio. Até aqui, nada demais. O pior foi verificar que novo endometrioma apareceu no ovário direito, devendo ser vigiado já que o ovário está a aumentar de volume. Concluí então que as dores que tive há dois ou três meses e as perdas adjacentes, foram o "esvaziar" do endometrioma anterior, provocado pelo enterrar do cinto das calças pela carne adentro ao me baixar para dar algo aos bebés. Foram dores horríveis, mas nada demais fora encontrado na eco que se seguiu. Pudera! O dito tinha desaparecido. Porém, estou a ver que isto me vai perseguir para o resto dos meus dias, já que novo endometrioma surgiu e aumenta de volume a olhos vistos. Só espero qu não cresça a pontos de me rebentar com o ovário... Será que isso pode acontecer?
Aiiii a minha vidaaaa!!!!
terça-feira, 18 de maio de 2010
Fui novamente convidada para madrinha!
Em princípio, penso que a criança não será baptizada, mas só de ser “madrinha por palavra” dá-me uma alegria enorme.
A minha amiga está, finalmente, a realizar o desejo de ser mãe. Infelizmente o sonho foi adiado, mas está a chegar a hora.
Lá em casa temos 3 afilhados, mas mais um não causa nada senão satisfação: é sinal de que somos vistos como alguém que gosta de crianças e que sabe o valor que um filho tem.
Ainda no ano passado fomos padrinhos de casamento. A coisa não está fácil, mas arranja-se sempre qualquer coisinha. O que importa é que nós nos sentamos valorizados e que os nossos amigos sintam que podem contar connosco, por pouco que possamos ajudar. Sinto-me bem assim e isso reflecte-se também nas minhas amizades que duram há tantos anos e o laço está cada vez mais forte.
Venham mais afilhados, que o quinteto tem o maior prazer!
Em princípio, penso que a criança não será baptizada, mas só de ser “madrinha por palavra” dá-me uma alegria enorme.
A minha amiga está, finalmente, a realizar o desejo de ser mãe. Infelizmente o sonho foi adiado, mas está a chegar a hora.
Lá em casa temos 3 afilhados, mas mais um não causa nada senão satisfação: é sinal de que somos vistos como alguém que gosta de crianças e que sabe o valor que um filho tem.
Ainda no ano passado fomos padrinhos de casamento. A coisa não está fácil, mas arranja-se sempre qualquer coisinha. O que importa é que nós nos sentamos valorizados e que os nossos amigos sintam que podem contar connosco, por pouco que possamos ajudar. Sinto-me bem assim e isso reflecte-se também nas minhas amizades que duram há tantos anos e o laço está cada vez mais forte.
Venham mais afilhados, que o quinteto tem o maior prazer!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Adeus, fiel amigo
Foram catorze anos de aventuras, mimos, olhares, afagos. Fora-me dado pelo meu namorado, agora marido, e cresceu em duas casas já que se "mudou" quando casei. Brincalhão, esperto, amigo.
O meu pai adorava-o e dava-lhe uma banhoca na altura do calor num tanque de um poço na companhia de outro fiel amigo de grande porte que tínhamos na altura. Era vê-lo a nadar todo satisfeito e dar saltos de contente à medida que sacudia o pêlo quando saía de lá.
Se colhiamos uma pêra da velha pereira que apenas permanecia de pé para lhe dar sombra e, soltando-o da corrente, a atiravamos para longe, corria atrás do "cheiro" e trazia-a de volta.Porém, fazendo um jogo de rato-gato, não nos entregava a dita, fazendo-nos ziguezaguear atrás dele num jogo de perseguição para lha retirar.
Ontem deu o seu último suspiro. Muitas lágrimas foram derramadas por mim e também pela Inês que cresceu este nove anos na sua companhia.
Até sempre Teddy...
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